quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Sites de serviços: serviços descartáveis?

Wallace Vianna é designer e blogueiro

Imagem: Magnific e PCH Vector 

No tempo de nossos bis/avós havia a figura do médico de família, que atendia e conhecia seus pacientes durante toda a vida. As empresas (familiares) seguiam quase o mesmo caminho.

Esse estado de coisas está sendo cada vez mais raro e valorizado, e os exemplos são muitos:

O Yahoo está encerrando o Yahoo Notas, assim como encerrou o Yahoo GeoCities e Yahoo Answers. A pergunta que fica não é nem tanto o que vai restar do Yahoo mas sim o quanto vale usar serviços de terceiros, uma vez que estes podem ser encerrados a qualquer momento.

O Google também é outro campeão de serviços descontinuados, tanto que hoje eu só uso de fato dois: o e-mail e o Drive.

A Microsoft também sofre de descontinuidade mas pelo menos mantém o serviço, mudando o nome: por exemplo o antigo Hotmail.com hoje é Outlook.com.

Na verdade, serviços são empresas que por sua vez podem ser vendidas ou encerradas. O que permanece é o conceito ou serviço (necessidade atendida) por trás deles. Assim sendo, durante nossas vidas temos de procurar encaixar nossas demandas independente do serviço A ou B e temos de estar prontos para migrar para qualquer serviço novo ou vizinho. A qualquer hora.

A alternativa de viver independente dos serviços a nossa volta não é muito prática, a não ser que sejamos ricos o bastante pra construir nossa auto suficiência ou vivamos como os indios, à margem da civilização. Então algumas sugestões se fazem bem vindas:

  • Ter arquivos de trabalho sempre duplicados em formato proprietário e formato universal. Ou em formato universal, apenas.
  • Ter backup de arquivos copiados em mais de um lugar. P. ex. em disco virtual de terceiros e em hospedagem paga
  • Usar mais de um serviço pro mesmo fim: e-mail gratuito em conjunto com o e-mail de seu dominio, pago.
Esse raciocinio vale pra todos os serviços e produtos adquiridos: ter conta em banco público e privado; comprar produtos que dependam de assistência técnica do fabricante e de profissionais autônomos ao mesmo tempo. Apostar todas as fichas de nossas vidas num único lugar a cada dia se mostra um mau negócio.

Na verdade qualquer serviço é descartável ou com prazo de validade. Marcas longevas hoje são minoria e todas sofrem mudanças pra acompanhar os novos tempos. Poucos produtos sobrevivem uma geração e a maioria sobrevive mais como informação duma época - é mais fácil encontrar um museu de paginas da web do que um museu de computadores, embora ambos possam ser úteis.

O que o mIRC, ICQ, MSN, Skype e WhatsApp nos mostram é que a tecnologia e o prestador do serviço mudam, a comunicação ou o uso é que permanecem.

Ao largo da praticidade, o progresso rápido estimula a nostalgia ou a valorização do passado. Se eu fosse apostar num negócio hoje provavelmente seria num serviço com estética ou conceito retrô, pois no nosso mundo de serviços descartáveis como copos de papel, serviços com "copos de vidro" viram serviço premium.





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Porque usar software livre?


(Opinião)

Software livre é uma comunidade de programadores e usuários em torno de programas de computador de código aberto, uma opção entre o software pago e o software gratuito, que como tudo na vida carrega seus prós e contras. Comento aqui minhas impressões e trajetória no uso dessa modalidade de software.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Porque o Windows precisa mudar


Imagens: Shopel e CasaDora

(Opinião)

O Windows 11 está fazendo o mesmo caminho do Windows 8: desagradando a maioria e mantendo a versão anterior (10) no mercado por mais tempo que o desejado pela Microsoft, repetindo o sucesso do Windows 98, XP, e 7.

São atualizações que trazem mais defeitos do que soluções, alta exigências dos equipamentos, interface que não empolga nem desanima... Mas as soluções existem.

Num laptop "popular" com HD de 64 GB o Windows 11 (atualizado) chega a ocupar mais de 50 GB(!). Então está na hora do Windows vir na placa-mãe e as atualizações ficarem no HD.

Nem tudo que vem no Windows o usuário vai querer - de programas embarcados de fábrica pela Microsoft até os programas da fabricante do computador. Então ter um "Windows mínimo", pro usuário baixar apenas os recursos que se desejar (software modular como os CMS) é algo necessário. 

Outra coisa necessária em tempos de Linux e Android (Sistemas Operacionais livres e gratuitos) seria haver um Windows gratuito suportado por propaganda e um pago, livre disso e com bônus.

Não precisa virar um Linux nem um MacOS. Talvez um meio caminho como o ChromeOS da Google ou o HyperOS da Xiaomi, com qualidades e facilidades pensadas pra integrar um único S.O. a diferentes equipamentos seja o que falta ao Windows.

Ou seja, o Windows merece uma evolução seja no modelo de venda como na arquitetura de software. E os usuários agradecem...


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Hardware livre

Wallace Vianna é designer e blogueiro 

Parece que o hardware livre voltou a caminhar para além do monitor, teclado ou mouse: um laptop compacto voltado apenas para escrita.

Espero que esse Zero Writer ou "PC para escrita" seja o primeiro passo para que surjam impressoras, scanners e celulares de código e equipamentos livres foi como o da Google, que permitam as pessoas adquirirem equipamentos e fazerem atualizações a um custo razoável.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Google Notebook LLM: primeiras impressões

Wallace Vianna é designer



Comecei a testar o Google Notebook LLM (GNL) assim que comecei a ler sobre ele na internet. A premissa é boa: num só lugar poder reorganizar, resumir, reapresentar informações multimídia (texto, áudio, imagens, vídeo). Pra quem estuda isso é fundamental pra agilizar o aprendizado; pra quem precisa fazer apresentações ou relatórios é um ganho de produtividade absurdo. Mas ao fazer testes...

Uma coisa que é básica ao analisar tecnologias, serviços é fazer testes extremos, do mais simples ao mais complexo e nesse quesito o Google Notebook LLM ainda é uma promessa pro futuro do que pro presente. Testei a versão no navegador web e no aplicativo de celular; em PC e smartphone e as diferenças foram pequenas.

Usar a URL de um site e pedir resumo não funcionou, pois o GNL ainda precisa aprender a separar a informação do entorno (página web) e isso inclui imagens e propagadas no meio do texto. Tive de usar o famoso copiar e colar texto, mesmo.

Acredito que com conteúdo de vídeo fazer um resumo seja mais tranquilo, embora as propagandas estejam inseridas ali também, seja dinamicamente (por programação) ou no próprio conteúdo.

Gerar conteúdo reformatado (apresentação, cartões de jogos, áudio) entra nesse rol de dificuldades, pois, mas minhas tentativas, o GNL não conseguiu converter conteúdos (somente texto!) em todos os formatos oferecidos, o que pode ser tanto uma limitação do conteúdo (informação difícil de ser convertida em outra linguagem de comunicação ou formato) como do aplicativo.

Enfim, bato palmas pra iniciativa, tem tudo pra evoluir a partir do momento em que o usuário do site consiga informar onde começa e termina o conteúdo relevante ou o aplicativo consiga descobrir isso por si mesmo (o que seria o ideal).

Google, IA e buscas na internet: novos paradigmas

 Wallace Vianna é designer

Imagem: Freepik, Juice Fish, PetaPixel

Demorou mas finalmente as IAs/Inteligências Artificiais - as mais famosas - estão adotando os buscadores de internet como principal parâmetro pra exibir resultados.

As IAs menos famosas faziam isso desde o início, mas agora gigantes como ChatGPT e Gemini estão indo além dos bancos de dados coletados na internet (sites específicos ou verticais) e considerando os resultados de buscadores de internet (sites genéricos ou horizontais).

Isso não significa que o GEO (ou otimização para mecanismos Generativos) vai deixar de existir ou que as IAs vão priorizar o SEO (Otimização para Mecanismos de Busca). Creio que ambos conceitos e outros novos que surgirão como o AEO (Otimização de Mecanismos de respostas) - uma divisão da IA generativa - irão fazer parte do nosso dia a dia profissional.

Então o foco das nossas presenças na internet parece ter voltado aos buscadores tradicionais; mas ficar atento às novas tendências do mercado sempre será fundamental.