terça-feira, 21 de maio de 2019

[Opinião] 

Wallace Vianna é webdesigner e desenvolvedor web.

O Gutenberg, a nova interface visual de desenvolvimento de páginas para o WP/Wordpress, pode ser o futuro do WP, mas não é o presente.

Motivo: muitos plugins (extensões de funcionalidades) para o WP não foram feitos para funcionar dentro do Gutenberg, ficando ocultos ou em lugares de difícil acesso nessa interface.
Isso vai determinar em muito o tempo que o Gutenberg vai levar para ser adotado pelo mercado.

Mas esse pecado não é exclusivo do Wordpress.






Muitos CB/content-builders (ou CDC/construtores de conteúdo) pecam nesse quesito.

CMS e cenário atual

Dizem que CMS (ou gerenciadores de conteudo na tradução) como o WordPress são engessadores de sites na medida em que não permitem fazer "sites criativos" (leia-se: fazer o site dos sonhos) mas essa fase do webdesign; infelizmente essa fase foi sepultada quando a Adobe - que tem boa tradição em bons softwares para midia impressa mas não para internet - comprou o Flash e logo em seguida teve de anunciar a descontinuidade deste software, que começou a dar problemas que a Adobe não soube resolver.

Não basta construir páginas na base do arraste-e-solte; qualquer funcionalidade para WP tem de aparecer no Gutemberg. 

Hoje mais importante que fazer o "site dos sonhos" é produzir conteúdo fácil de ser gerenciado na web.
Nesse sentido os content-builders tem de evoluir para ter maior integração com plugins existentes no mercado.

Problemas

Não basta permitir construir páginas da web na base do arraste-e-solte; qualquer conteúdo ou funcionalidade para WP tem de ser compatível com esses construtores de página.
Alguns CB como o MotoPress fornecem opção para inserir alguns conteúdos nas páginas web usando o editor clássico do Wordpress. Mas o ideal seria poder usar tanto o editor clássico (mesmo exibindo a estrutura da página web em linhas de código) como usar a interface dos CBs, sem conflitos. Nesse cenário o conteúdo é rei, independente da interface de usuário.

O WP poderia dar um passo a frente no mercado que ele mesmo está correndo para acompanhar com esta singela mudança no seu Gutenberg. Mas infelizmente o WP, apesar de ser um software tanto comercial quanto livre, parece ter políticas apenas de software livre, onde o desenvolvimento de soluções é feito sem muita pesquisa prévia junto aos seus usuários (vide a interface nova do Wordpress.com, que deveria ser restrita a dispositivos móveis como celulares e é empurrada para usuários de computadores de mesa, como opção padrão).

Enfim, como praticamente 1/3 da Internet usa o Wordpress, desejo boa sorte ao Gutenberg, e que em breve ele deixe de ser uma opção incômoda para usuários antigos e se torne um recurso tão padrão quanto útil, para quem trabalha com desenvolvimento de sites e blogs.

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