quinta-feira, 21 de abril de 2022

Guia do backup para designers (mas não só designers)

Imagem: Freepik/StorySet


Uma das coisas que aprendi ao longo de anos é que backup tem de ser feito, mas a parte física dele não deve ser responsabilidade sua.

Traduzindo: ter mídia (DVD, Pen Drive, HD) com seu backup subentende ter e manter políticas a respeito, como verificar se o backup foi feito corretamente, se os dados/arquivos não se corromperam ao longo do tempo, como recuperar o tipo de backup etc.

Motivo: nenhuma mídia é eterna: um dia o HD, Pen Drive ou DVD vão parar de ler ou funcionar. Então, saber o que fazer (ex.: como e o que guardar) acaba sendo tão importante quanto onde fazer (onde armazenar).

Conclusão: é mais prático pagar ou utilizar armazenamento de terceiros (na nuvem, p.ex.) e empurrar pra outras pessoas a preocupação de ter de trocar o HD, verificar se os dados não se corromperam nem pegaram vírus, de tempos em tempos. E focar no principal: ganhar o sustento.

Como espaço pra backup não é infinito e tem um custo, seguem algumas sugestões que adotei ao longo do tempo:

Questões macro e micro no backup

Questões macro

a) Backup do cliente

Como nem sempre o cliente vai ter essas políticas na hora de guardar os trabalhos que você entrega, você ter uma cópia deles acaba sendo útil no caso de um trabalho ter de ser recuperado, refeito ou reenviado ao longo do tempo.
Para se esquivar de responsabilidades, você pode incluir no contrato de serviço as suas responsabilidades depois do trabalho entregue (ex.: 3 meses) e até sugerir ao cliente formas de fazer esse backup - trocar o Pen Drive ou o celular pela nuvem, p.ex.

Pra quem quer empreender ou oferecer serviços adicionais ao cliente - backup de dados - pense se você tem um plano de negócios em torno dessa atividade (ex.: vender um produto e oferecer armazenagem desse produto). 

Se tem, ok, se não, crie um plano, pois o cliente pode ter necessidades específicas para você resolver (ex.: backup que sempre lota), da maneira que for mais conveniente para ele (usar um único backup sem se preocupar com HD virtual cheio). Não faça da oportunidade uma dor de cabeça por falta de planejamento!

b) Conteúdo multimídia ou misto

Backup de uma aplicação (programa de computador), vídeo ou multimídia é mais complexo do que um cartaz ou folheto, pois pode envolver vários arquivos, um executável ou formato de arquivo que só funciona em determinada versão do sistema operacional.

Nesse caso reduzir o trabalho a um vídeo em formato universalmente aceito (*.mp4, *.mpeg) ou imagens planas com descrição (apresentação em telas) acaba sendo a melhor solução.

c) Simplificar o backup: Os arquivos de trabalhos antigos tem de ser reduzidos, seja fazendo um filtro (o que vale a pena guardar e o que deve ser descartado) ou reduzindo o tamanho dos originais.

Se estiver em papel, digitalizar resolve o problema de espaço físico e do desgaste no tempo.
Se estiver no digital, simplificar o conteúdo é uma solução de curto e médio prazo:

  • Converter o trabalho a imagens planas.
  • Reduzir a resolução a uma qualidade mínima;
  • Reduzir as medidas/dimensões para o minimamente aceitável pra se ver em monitor ou pra imprimir.
Uma solução alternativa é colocar imagens do portfólio em boa qualidade na internet (verificar se o site faz compactação de conteúdos postados, degradando a qualidade, antes), se libertando da preocupação de ter de armazená-los de modo privado.

Já prevendo esse tipo de situação, decidi guardar apenas trabalhos de até 5 anos atrás até hoje. Isso limita o tamanho do backup ao longo do tempo ao mesmo tempo em que mantém um portfólio mínimo do melhor que foi feito.

Dentro dessas políticas macro, existem
Questões micro:

d) Formatos de arquivos

O formato de arquivo digital a ser adotado. Todos nós tivemos CD-ROMs antigos que passaram a não ser mais lidos em computadores novos.
Adotar formatos de arquivos universais acaba sendo uma estratégia útil tanto para o backup como para o dia-a-dia profissional. Imagine que você precisa abrir aquele trabalho antigo e o programa original foi descontinuado, não está a mão ou não é mais lido por nenhum programa atual.

Se seu trabalho é desenho vetorial, salvar um backup em formato .SVG, .WMF ou .PDF acaba sendo mais inteligente do que guardar arquivos .CDR ou .AI (ao menos arquivos .AI sem ser PDF-compatível) no longo prazo. Perde-se o acesso a edição de recursos mas ganha-se preservando o mínimo necessário do resultado final.

Em último caso, imagem plana com qualidade mínima que permita ser vetorizada é outra opção.

O pior caso é quando o arquivo de trabalho é um arquivo de conteúdo misto (meta-arquivo), mas aí reduzir tudo a vetores ou imagens pro backup é a solução melhor, pois até arquivos de fontes de texto passam por esse drama - um dia não teremos mais arquivos de fonte de texto .TTF ou .PFM/PFB no mercado nem programas que reconheçam esses arquivos.

e) Fontes de texto

Falando em texto, se o formato de arquivo incorpora as fontes usadas, ótimo.

Se não, converter tudo a desenhos/curvas/traços e deixar anotado as fontes usadas passa a ser mais prático.

Ter um único backup dessas fontes de texto pode ser útil também, pra não fazer backup das mesmas fontes várias vezes em projetos diferentes (e ajudando no inventário desses arquivos).

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